9 de janeiro de 2012

Depois nos falamos.

Depois de um dia complicado no trabalho e alguns minutos no transito até chegar na estação de Metrô, o telefone toca e ao identificar seu nome no visor a primeira coisa que me vem a cabeça é que foi por engano. Resolvo atender o mais natural possível. Com a voz mais linda do mundo você diz que está doente e precisa de companhia para ir embora. Disse que demoraria alguns minutos para chegar e você respondeu que não tinha problema e que esperaria no lugar de sempre. O combinado era não nos encontramos mais, tivemos uma conversa definitiva e prometemos não voltar atrás na decisão.

Resolvo fazer surpresa e chegar por trás, sinto vontade de te agarrar, mas me controlo. Depois de nos olharmos por alguns segundos sem dizer nada e quase nos beijarmos, desviei o olhar e tentei conversar sobre algo. Você não sabe se fica ao meu lado ou na minha frente. Sempre ficamos (Ficávamos?) abraçados, eu falando no seu ouvindo com as mãos na sua cintura e você segurando meus braços. Respirei fundo.

Você me olhou de uma maneira triste muitas vezes e quando eu perguntava se havia algum problema a resposta era sempre a mesma: Está tudo bem. Não estava tudo bem, nada estava bem. Sabíamos disso.

Fiquei com os braços cruzados o tempo inteiro, não é fácil estar perto sem poder te tocar. Você me contou sobre uma amiga que insistia em continuar uma história que não havia possibilidade de dar certo. Senti vontade de rir com ironia. Acho que você percebeu meu desconforto. Nos olhamos e sorrisos sem motivo. Queríamos pedir Desculpa por tudo, mas não queríamos lembrar de nada.

Nos despedidos rápido. Depois nos falamos, eu disse. Não queria me despedir. Você respondeu: Depois nos falamos, amor. Sorri e te apertei no abraço.

2 comentários:

Rafaela Venturim disse...

Que gracinha de texto! Adorei!

Homem disse...

Muito Bom!!!

Isso me lembra uma carta no livro da Martha Medeiros, no livro "Tudo que eu queria te Dizer"

Recomendo ele para voce.

Homem de 2indices